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Prelúdio

Prelúdio

A Ruptura

Antes do tempo ter tal nome, para zelar o omniverso, duas entidades conhecidas como Apóstolos receberam a dádiva da criação e destruição com o dever de manter o equilíbrio e guiar toda a consciência existente.

O omniverso se organiza em camadas, assim como folhas de papel sobrepostas, onde cada folha fosse um universo tendo seus respectivos indivíduos. Cada existência tinha jornadas isoladas na qual contavam histórias, coexistindo com diversos outros que seriam tão diferentes, ao mesmo tempo tão interessantes.

Neste Omniverso tinham dois apóstolos chamados Joy que possuía domínio sobre tudo, moldando a existência com total controle acompanhado de sua irmã Luxe, por sua vez, estava limitada à sala do Omniverso onde ambos permaneciam, sendo reduzida à condição de observadora, incapaz de interferir diretamente no tudo que existia.

Contudo havia uma falha.

Entre o último instante da vida e o completo desaparecimento da consciência de um indivíduo que havia degustado a vida dentro do universo na qual pertencia, existia um intervalo ignorado, um espaço onde as regras não se manifestavam, ou seja, um erro(?) no sistema do Criador. Foi nesse momento negligenciado que Luxe encontrou sua oportunidade. Com paciência e obsessão, ela arquitetou um plano que iniciou um evento único chamado Ruptura.

Como a ponta de uma caneta atravessando uma pilha de papéis, o Omniverso foi perfurado, conectando todos os universos e alcançando até mesmo a sala onde os Apóstolos existiam. A barreira que impedia a participação de Luxe fora quebrada e assim finalmente foi liberta. Um evento que durou menos de quatro segundos. Algo que proporcionou calafrios nos dois apóstolos.

Um encarava o outro naquele silêncio ensurdecedor que parecia não ter mais fim. Luxe surpresa e animada pelo seu sucesso enquanto Joy paralisado pois não estava entendendo a situação, mas sabia que Luxe tinha planejado aquilo tudo, sabe-se lá por quanto tempo aquele plano foi arquitetado, quanto de energia ela usou para que aquilo se concretizasse. Quando a Ruptura ocorreu, Joy não tentou impedir. Ele apenas observou. Estava completamente congelado pela manifestação de múltiplos sentimentos coexistindo dentro de si. Havia euforia, medo, ansiedade, alegria e desespero, mas tudo ao mesmo tempo. Pela primeira vez, algo escapava de sua compreensão e domínio, porém ele admirou o que via.

Para Joy, não havia uma quebra definitiva de seu dever como Apóstolo, mas uma continuidade sob uma nova perspectiva. Se tudo aquilo fazia parte da existência, então também poderia fazer parte de algo maior. Uma nova fase, uma nova possibilidade, talvez até uma etapa necessária para a evolução que sempre observara. Ambos estavam agindo dentro de suas próprias naturezas. E, diante disso, Joy não viu motivo para interferir.

Pela primeira vez, sentiu alívio. A possibilidade de que aquilo não fosse tudo, de que o papel que ambos desempenhavam não fosse absoluto, trouxe consigo uma nova interpretação da própria existência. Talvez não fossem o fim. Talvez não fossem completos. Talvez houvesse algo além do seu próprio dever. Talvez existisse algo maior que ele. Por fim soorriu enquanto mergulhava nas próprias teorias.

Luxe percebeu que as intenções de Joy não seriam pará-la, mas mesmo não sabendo o porquê, assim disse: "O jogo é real, irmão e agora é meu turno." Diante de Joy, declarou o início de algo novo.

Livre, Luxe expandiu sua presença por todo o Omniverso, agora sem limitações. Seu poder passou a se manifestar em todos os planos, alcançando cada fragmento da realidade.

Sem confronto, sem resistência, apenas aceitação, ela deu início à sua própria criação.

Transformou a própria ruptura em um novo universo, não isolado como os anteriores, mas convergente. Como se o furo nos universos que havia feito, se transformasse em algo. Um espaço onde diferentes existências passaram a coexistir. Seres humanoides, entidades folclóricas, consciências cósmicas e fragmentos divinos compartilharam o mesmo plano sob uma única lei. Um fragmento do todo que estavam observando estavam juntos em um só ligar. Luxe criou seu próprio universo e sistema, onde ela compartilhou sua própria dádiva à todos aqueles presentes neste novo mundo. Os desejos de cada indivíduo se materializaram, cada ser despertou uma habilidade moldada por sua essência naquele momento, fazendo com que sua natureza definisse sua força, algo que foi chamado de Materialização. Seu próprio universo com suas próprias regras foram criadas.

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